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Ciência e Religião - Conflito real?
Escrito por Robert W. Beims   
Sex, 28 de Março de 2008 16:48

Se a gente perguntar por aí: "existe conflito entre ciência e religião?", as respostas certamente serão bastante distintas. Desde um apaixonado "sim", tanto do lado da religião como da ciência, até um "não sei" ou "não me interessa".

Uma busca na internet com a frase, por exemplo, "conflito ciência religião" (ou "science vs. religion"), vai apontar para sites e blogs onde se encontram as mais diversas opiniões sobre este assunto. E nem poderia ser diferente, porque, cada qual, do seu ponto de vista, parece (e crê) estar certo. O resultado desta busca também mostra que existem sites (e pessoas) empenhados em defender uma tolerância mútua etc... Este espectro de opiniões aponta para o fato de que não existe uma resposta pronta, evidente e, por isto, incontestável. Não existe algo aceitável para ambos os lados, a partir do qual se pudesse afirmar que um dos dois (ou os dois) está errado e, conseqüentemente, o lado perdedor ficasse convencido e aceitasse "numa boa" a sua derrota. Os argumentos da ciência não são aceitos pela religião e vice versa também.

Agora, não existe ciência ou fé "fora" do ser humano e de suas instituições. Por isto o conflito ciência x religião não tem a realidade que tem, por exemplo, um MP3 Player. Não é possível ver o conflito entre eles independente do ser humano ou de suas instituições. Ou seja, não existe conflito entre ciência e religião além ou aquém do conflito entre seres humanos e instituições com as suas opiniões divergentes. Tão óbvia é esta dependência e, ao mesmo tempo, tão "esquecida", como se fosse possível ver ciência e religião se brigando, como, eventualmente, num caso extremo, ver uma pessoa religiosa "saindo no tapa" com uma pessoa "não-religiosa" por causa das suas convicções. Ou seja, a realidade do conflito ciência e fé tem a mesma realidade das nossas convicções. O conflito ciência e fé é um conflito de convicções opostas que reivindicam cada qual para si, ser (mais) verdade ou ser melhor que a outra. Obviamente estas convicções se "traduzem" em coisas bem mais palpáveis como as instituições religiosas e científicas, diversas manifestações de culto e diversas teorias científicas e muitas realizações técnicas.

Portanto, o conflito surge com a pretensão tanto dos homens e mulheres da religião como da ciência (e suas instituições) de possuir um acesso privilegiado à verdade (suas convicções). Cada qual não pode e, muitas vezes, não quer abrir mão das suas convicções. Isto significa então que não existe uma saída? Penso que sim e, para encontrá-la, vou me ocupar em breve com o assunto das "convicções".

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